Havia
recebido o convite aquele que tanto esperava, aquele que a fazia perder o fôlego só de imaginar,
mas por diversos fatores, relutou em atender, o convite foi feito, da forma
costumeira e sorrateira, em meio a brincadeiras e propostas quase indecentes
(sim pois é indecência provocar um coração apaixonado!)
Como sempre, ficou em dúvida.
Fazia algum tempo após os últimos acontecimentos, as mágoas já estavam
adormecidas, haviam sido superadas pelas boas lembranças, ou até mesmo por aquele desejo que as vezes a
tomava de súbito. Contudo, uma pontinha de raiva ainda permanecia, não aquela
prejudicial que de início lhe tirava o sono, o sossego, a sanidade... o que
permanecia era uma espécie de insegurança e orgulho ferido.
Mas algo
ainda estava lá, escondido, como uma
ideia persistente que a enlouquecia,
algo que queria vir à tona, se mostrar de novo... que a incomodava e muitos vezes a fazia
admitir que superaria todo o resto... e que poderia passar por cima de tudo
pelo simples e ardente desejo de existir...
Mesmo assim o papel de heroína
ou de mocinha, aquele das comédias românticas, não lhe caia bem, embora fosse
assim que fantasiava tudo na maior parte do tempo, era forte e determinada,
conseguia pontuar bem aonde aquela história daria, talvez em lugar algum, era
difícil prever, e decidiu ser forte, aceitar o convite romper as barreiras
sociais que a prendiam...
Decidiu que
sim, iria, estava convicta enfrentaria a tudo,
não pelos sentimentos sufocados que a enlouquecia, mas antes por um
desejo puro e simples, aquele de ser mulher... dona de sua própria vontade, e
convicta de seus desejos...
Mas como em uma comédia
romântica, daquelas a que estava habituada a ver na tv , viu que não
daria tempo para os preparativos que um encontro daqueles exigia... mais um dos dilemas femininos, sempre
pontuados ou salvos, por coisas que até pareceriam insignificantes como a unha
por fazer, o cabelo pra cortar... enfim, tudo certo na hora errada, ou tudo
errado na hora certa!
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